Megatrom

OS DIAS MAIS FELIZES DE MEGATROM


por Rita Maria Felix da Silva


Nota legal: os direitos autorais de Megatron, Optimus Prime, Cybertron, Transformers, bem como conceitos e personagens relacionados pertencem, unicamente, a seus criadores. Esta obra tem objetivos, apenas, culturais e de entretenimento, portanto, nenhuma forma de ganho, lucro ou transação financeira está sendo realizada aqui.

Dedicatória: dedico este conto ao amigo que encontrei em uma das salas do Mirc, que usava o "nickname" de "Megatron" e que me proporcionou um dos melhores diálogos dos quais já participei na Internet. Foi a partir de uma de suas frases ("Por que você não escreve uma história em que Megatron derrota o Optimus Prime?") que esta história se inspirou e desenvolveu-se.

Prólogo: Sob as Luzes de um Futuro Distante

As três luas já começavam a se erguer nos céus de Zeta-7, o lar da espécie humana, na galáxia Primus-Tau, e, em AW-72, capital daquele mundo, as luzes do sistema de iluminação pública se acenderam para enfrentar a longa noite.
Após um dia de trabalho, a população buscava o descanso de suas casas, e muitos passavam, sem prestar maior atenção, pela estátua de vinte metros, forjada em aço escuro, molecularmente manipulado, no centro da capital... A imagem de um robô alienígena, um herói caído, de quem esta nova geração não se lembrava mais.
Porém, do parapeito do segundo andar do Museu de Culturas Alienígenas, MK-5276 contemplava a enorme escultura e dizia para si mesma: "É Optimus Prime!"
Optimus Prime fazia parte da História dos seres humanos e para MK-5276, História era tudo. Tinha sido assim, desde pequena e agora ela tinha dezessete anos, uma adolescente que assumira o cargo de curadora do museu e que se sentia deslocada demais em sua própria época... Por isso, passava tanto tempo no trabalho, mergulhada em relíquias e achados arqueológicos, pois, aquele ambiente, povoado pela grandeza e solenidade dos dias antigos, fazia mais sentido para ela do que o restante do mundo.
MK-5276 afastou-se do parapeito e voltou para a poltrona de seu gabinete. Tinha pele azul, como a quase totalidade dos seres humanos (uma vez, numa festa que seus pais quase a obrigaram a ir, uma colega lhe apresentou a um rapaz de pele branca, quase pálida... Um imigrante de uma daquelas colônias de ultraconservadores no sul do Planeta, que se consideram a verdadeira espécie humana...). Era bonita e poderia ser muito popular, se desejasse, o que não era o caso.
O trabalho no museu foi, a princípio, um paraíso, mas o desinteresse crescente da população pelo passado começou a incomodá-la e ela agora se sentia tomada por um tédio quase venenoso. Cogitava a idéia de afastar-se e partir em uma daquelas caravanas de peregrinação, da qual já participavam tantos jovens, até os santuários e templos no Pólo Norte, em busca de...Iluminação...Sentido... Pelo menos, uma fuga do tédio...
Ela estava examinando um panfleto de uma dessas agências especializadas em peregrinações, quando o computador, que controlava as funções do museu, avisou-a sobre um visitante.
_Quem é? - ela indagou, enquanto concluía que uma peregrinação também poderia ser algo bem tedioso...
_LJ-4165. Ele está esperando na entrada do Museu. - respondeu a voz eletrônica do computador, que MK-5276 havia programado para soar exatamente como a de sua mãe, falecida na última estação, em um acidente numa das usinas de força da segunda lua (um evento infeliz, no qual a Medicina Nanotecnológica foi incapaz de auxiliar, uma vez que, após a explosão, não havia sobrado um átomo sequer...)
_Manda ele entrar - ordenou, desgostosamente, MK.
Logo, LJ-4165 estava diante dela. Para os padrões de Zeta-7, ele era belíssimo, quase como um astro de filmes holográficos ou telepáticos... O rapaz mais popular de AW-72, por quem a maioria das garotas desmaiava... Filho do presidente da corporação responsável pela produção e distribuição de alimentos para todo o Hemisfério Norte...
Mas LJ era tedioso, tão exibido, presunçoso e vazio... Para MK, era um sacrifício manter mais do que um minuto de conversa com ele. E LJ era muito insistente. Já havia levado para a cama quase a totalidade das moças de AW-72 e considerava MK-5276 como sua próxima conquista (contudo, ela havia planejado para si mesma perder a virgindade num daqueles grandes Rituais da Fertilidade, que eram realizados, a cada estação, na Ilha dos Deuses, a maior do arquipélago que se situava no centro de um dos três oceanos de Zeta-7...Sua mãe havia procedido dessa forma, bem como todas as mulheres da família antes dela... E a jovem não desejava romper esse padrão).
LJ-4165 sempre trazia presentes e MK os devolvia, por isso ela não estranhou quando viu nas mãos dele uma pequena caixa metálica prateada, do tipo que se usa para guardar discos de gravação.
_O museu está fechado.Você não devia está aqui... - Ela disse, com certo desdém.
_Eu sei - LJ sorriu, aquele sorriso de cafajeste que MK tanto odiava - mas, se eu pedisse, meu pai comprava este museu e aí você não poderia me impedir de entrar...
Ela detestava ainda mais quando ele falava assim.
_Certo. Estou ocupada, - mentiu ela - por isso seja breve.
Ele sorriu novamente e apontou a caixa metálica para ela:
_Eu tenho uma coisa aqui que você vai adorar. Escapou da atenção dos xeno-arqueólogos do Governo. Consegui no Mercado Negro. Custou um bocado de dinheiro...
_Mercado Negro? - indagou ela irritada, porque os jogos de sedução de LJ já estavam cansando-a - Você não tem medo de...
_Sei que você não me denunciaria... - ele interrompeu -E, com o dinheiro de meu pai, nem iam poder me tocar... Olha, isso aqui vai te deixar excitada... Sério... História Antiga... Cybertrônica.
Por alguns instantes, os olhos de MK-5276 se arregalaram e sua voz recusava-se a sair. O panfleto caiu de suas mãos.
Dessa vez, LJ-4165 não riu... Gargalhou:
_Sabia que um dia eu chamava tua atenção! Eu já assisti e...Ah! É uma palavra mágica... Megatron!
MK tomou a caixa das mãos dele, abriu-a com a voracidade de um animal faminto e analisou com toda a atenção o objeto lá dentro... Um disco metálico reluzente.
_Deuses! Deuses! - ela balbuciava - É de verdade! Tem de ser!
Em seguida, ela dirigiu-se ao computador com um tom quase de súplica:
_Computador, verifique a autenticidade disto!
E uma voz maternal respondeu:
_Eu já fiz isso. Analisei até o nível subatômico e cheguei à mesma conclusão que você: é autêntico. De fabricação cybertrônica. Data da época posterior ao fim da Guerra Civil entre Autobots e Decepticons.
Ainda segurando a caixa, MK tremia de espanto e satisfação, quando se dirigiu novamente a LJ-4165.
_LJ, isto é tão importante. Esse período... É um dos mais obscuros...Após o duelo na lua terrestre... E a Guerra de Extermínio... A maioria das informações desapareceu...Nunca pudemos determinar com certeza o que teria acontecido a Megatron...Você não pode imaginar a importância disto...
_Posso sim! - respondeu ele com soberba - Fiz a lição de casa antes de vir pra cá... Megatron, Cybertron, Optimus Prime, Guerra Cybertrônica e toda aquela besteira...
MK-5276 sentiu-se tomada pela fúria, diante daquele comentário imbecil, mas controlou-se: afinal, LJ havia lhe trazido algo de valor inestimável...
_LJ, eu não sei como agradecer por isso...
_Ah, daqui a pouco eu te digo como você pode me agradecer... - disse ele, e aos olhos de MK, o rosto do rapaz pareceu mudar e, de repente, ela lembrou dos grandes carnívoros nos holo-registros...
Ela se controlou. Esse era um assunto para ser tratado depois.
_Computador, decodifique isto para nosso padrão de vídeo, traduza e exiba como holo-imagem - ordenou MK-5276.
_Decodificação e tradução em andamento - respondeu o computador.
Dez segundos depois, o gabinete de MK-5276 foi inundado por imagens holográficas. A alegria da jovem dificilmente poderia ser descrita em palavras. Os pensamentos de LJ- 4165, porém, era bem mais básicos e se resumiam numa única frase:
_MK, dessa vez eu te pego!

Parte 1: A Sombria Luz da Verdade

"Um dia, após retornar de mais um confronto contra os Autobots, Megatron, de Cybertron, líder dos Decepticons, alcançou a sombria luz da verdade:
Ele compreendeu que destruir Optimus Prime, o líder Autobot, era o propósito pelo qual existia, o lugar que lhe fora reservado nos planos da Grande Mente, que projetou o Universo. E esta compreensão encheu-lhe de uma fúria ainda maior.
Assim, Megatron atirou-se novamente às batalhas, com uma ferocidade que assustava até mesmo seus comandados e estes, em resposta, passaram a imitar sua violência. Destruir Optimus era o objetivo de Megatron... Tudo que ele podia desejar... Por vezes, o ódio pelo Autobot parecia querer derreter-lhe os circuitos internos e esse sentimento era o que motivava agora, como se pudesse substituir a energia que sustentava seu corpo.
Quanto a Optimus Prime, ele estava preocupado, pois nunca o conflito contra os Decepticons havia sido tão terrível. No meio dessa guerra, multidões de humanos... Aquelas repulsivas criaturas orgânicas, que, insanamente, o líder Autobot tanto prezava... Estavam perecendo...Dizem que, ainda que parecesse inconcebível, Optimus chorava por elas... Foi então que, no início do final de mais um ano de sua estadia na Terra, o Decepticon Soundwave recebeu uma transmissão de Optimus Prime...
'Saudações, Megatron, Senhor dos Decepticons... Eu, Optimus Prime, líder dos Autobots, o desafio para que esteja na lua terrestre, exatamente daqui a três rotações deste planeta... Pois, pela tradição, em nome dos Criadores, por meu poder, direito e linhagem, eu invoco o Skrim-Scharrh...'
A mensagem se encerrou e todos os Decepticons ficaram em silêncio, aguardando a reação de Megatron.
De seu trono, o Líder Decepticon meditou por um momento e depois passou a murmurar consigo mesmo:
_O Skrim-Scharrh...
Em seguida, levantou-se audaciosamente e gritou para Soundwave:
_Transmita para Optimus este aviso: eu aceito o desafio!
Tendo dito estas palavras, Megatron retirou-se para um canto reservado da base Decepticon e lá permaneceu sozinho e em silêncio, até que a estrela que os humanos chamam de Sol voltou ao horizonte. Durante esse período, nenhum de seus subalternos ousou incomodá-lo..."

Parte 2: Duelo na Lua Terrestre

"De acordo com os registros, já havia muito tempo desde que um Transformer invocara o Skrim-Scharrh, uma das mais sagradas e antigas tradições de Cybertron, um duelo de morte entre dois inimigos mortais, sem hesitação, recuo ou piedade, até que um deles houvesse sido destruído. Apenas os Transformers do mais alto nível poderiam recorrer a essa prática, e, ao tempo de Megatron, talvez apenas ele mesmo e Optimus eram dignos de tanto.
No Skrim-Scharrh todas as armas devem estar desativadas e é proibido usar a capacidade de transformação. É um combate de força bruta e selvageria, no qual não pode haver qualquer auxílio ou intervenção, de quem quer que seja, não importa o motivo. Como ordena a tradição, o Transformer que interferir neste duelo deverá ser executado por seus companheiros.
Mesmo Megatron não ousaria trapacear diante de algo assim e ele ria consigo mesmo, surpreso por Optimus ter chegado a tanto, principalmente pela astúcia que este demonstrara: o líder Decepticon não poderia ter recusado o desafio, sem enfrentar a rebelião de seus subalternos, que não mais iriam respeita-lo. Sim, Optimus fora longe demais e, ao mesmo tempo, fizera o que Megatron mais desejava, pois esta era uma oportunidade única para destruir seu mais que odiado inimigo.
Então, contados exatamente três dias, Megatron e Optimus Prime se encontraram na lua terrestre. Não houve qualquer comentário entre eles, ou ameaças, avisos ou bravatas, porque no Skrim-Scharrh não há lugar para tais coisas. Eles apenas começaram a lutar.
Foi um confronto de brutalidade, de punho contra punho, de metal esmagando metal, sem qualquer honra ou racionalidade, apenas ódio, força e sobrevivência. Certamente, em seu íntimo Optimus estava chorando, porque, diferente de Megatron, ele não era um assassino.
O Decepticon Soundwave, como lhe fora ordenado, transmitiu a batalha para todas as redes de TV terrestres e os humanos observavam e temiam por Optimus e imploravam a seus deuses que o ajudassem.
Mas, assim dizem, mesmo os deuses não interferem no Skrim-Scharrh e Megatron e Optimus prosseguiram por horas, enquanto ferimentos apareciam pelos corpos de ambos, dos quais brotavam fluidos de combustível e emissões de energia.
E, em certo momento, eles estavam esgotados e seus estoques de energia se tornaram perigosamente baixos. Porém eles continuaram, porque não deve haver intervalos ou descanso no Skrim-Scharrh.
E a maré da batalha fluía e oscilava. Por vezes, Megatron surpreendeu-se com a ferocidade que encontrara em seu adversário e temeu por si mesmo e sua sobrevivência. Em outros instantes, seu lendário orgulho ameaçava fraquejar e ele se questionava se aceitar o duelo não teria sido sua ruína. Todavia, naqueles momentos, misturada a fúria que lhe era inerente, Megatron encontrou nobreza em seu íntimo e a força e a coragem para resistir e continuar. Afinal, era o Skrim-Scharrh, a oportunidade de sua vida e era Optimus que estava diante dele, o terrível inimigo que ele jurara destruir.
Até que, em certo instante da eternidade, Megatron percebeu que Optimus havia caído e ele continuou golpeando o Autobot e golpeando... Agora com mais ódio e mais rápido, embora seus circuitos lhe alertassem que seus sistemas estavam prestes a entrar em colapso... Não importava, era Optimus que estava caído... Era Optimus que deveria morrer...E Megatron continuou...
E então, de repente, Optimus estava imóvel e sua cabeça havia sido esmagada. Megatron observou atentamente seu inimigo...E um riso da mais pura selvageria formou-se no rosto do Decepticon: Optimus Prime, o líder Autobot, estava morto.
Megatron ergueu os braços, olhou para o firmamento e gargalhou, embora o vácuo não lhe permitisse escutar qualquer som. Ele havia vencido e assassinado seu mais poderoso e odiado adversário. Havia cumprido o propósito para o qual fora criado.
Em seguida, Megatron ergueu o cadáver de Optimus Prime e arremessou-o, com o que restava de suas forças, em direção a Terra. Após horas atravessando o espaço, o corpo do Autobot entrou em atrito com a atmosfera terrestre e incendiou-se. O Decepticon Soundwave acompanhou a trajetória do cadáver, até que este caísse no continente que os humanos chamam de Austrália.
Por fim, os sistemas de Megatron entraram em colapso e ele sucumbiu no solo da lua terrestre. Enquanto suas últimas partículas de energia o abandonavam, percebeu que esta seria uma boa morte, pois partia mais feliz do que jamais estivera antes... Mais do que poderia ter sonhado.
E este, para desgraça dos humanos e de todo o Universo, foi o início dos dias mais felizes de Megatron..."

Parte 3: O Flagelo dos Humanos e dos Autobots

"Megatron despertou na base Decepticon. Dias haviam se passado, enquanto seus comandados tentavam reparar seu corpo. Os outros Decepticons olhavam para ele com uma mistura aberrante de orgulho, inveja, respeito e medo.
Megatron não deu atenção a eles. Estava feliz e era uma felicidade tão grande que lhe parecia querer explodir seu corpo. Então, ele se perguntou o que faria com esse sentimento e lembrou de Optimus, que, quando vivo, liderara os Autobots e que tanto estimara e protegera os humanos...Depois pensou no mundo dos homens, tão frágil diante dele, e nos tolos Autobots, chorando sobre o cadáver de seu mestre caído... E decidiu seu próximo passo...
Os meses seguintes assistiram à mais terrível investida dos Decepticons contra os Autobots exilados na Terra, os quais, privados da liderança de Optimus Prime, e diante da nova ferocidade de Megatron, começaram a recuar... E a tombar...
Um ano após a derrocada do líder Optimus, Megatron exibiu para os humanos a cabeça do último dos exilados Autobots. Nas telas de TV por todo o mundo, ele riu e fez uma promessa...
Nos dias que se seguiram, todas as forças humanas lutaram desesperadamente contra o poderio Decepticon. Era a Guerra de Extinção da Humanidade, decretada por Megatron, e os humanos estavam perdendo...
Porém, este novo confronto estava demorando demais, e os olhos do líder Decepticon ansiavam por Cybertron, por isso ele ordenou que seus subalternos fabricassem uma nova arma... E, num dia do mês terrestre de março, uma bomba com nanotecnologia cybertrônica foi detonada na atmosfera da Terra... A praga espalhou-se pelo ar e, logo, milhares e depois milhões de humanos começaram a perecer...
No período que os terrestres chamavam de abril, em todo o mundo, não havia mais do que dois mil humanos ainda vivos. Megatron ordenou que os Decepticons caçassem esses sobreviventes um a um e se divertiu assistindo-os morrerem...
Todavia, Megatron resgatou cem humanos e usou-os na execução de uma idéia: utilizando tecnologia cybertrônica implantou em seus corpos partes mecânicas, produzindo o que, em outras épocas, fora chamado de ciborgues. Trinta humanos não sobreviveram à traumática cirurgia, aos demais, Megatron ofereceu uma escolha: 'curvem-se a mim ou pereceram como o resto de sua espécie'.
A esses ciborgues, ele ordenou que lutassem entre si, para que, no final, apenas os mais fortes pudessem servi-lo. E eles lutaram e apenas trinta humanos modificados continuaram vivos após o combate (dez destes estavam terrivelmente feridos ou mutilados e impróprios demais para a guerra... Megatron mandou que os outros os executassem).
Treinados pelo próprio Megatron, os ciborgues humanos restantes mostraram-se guerreiros ainda melhores do que se poderia supor. Por vezes, o líder dos Decepticons olhava para eles e, em sua mente, duelavam o orgulho incontido e uma disfarçada preocupação, até que ele optou por que lado escutar: tencionando evitar problemas futuros, ordenou que os Decepticons lhes extraíssem os cérebros, os quais ele substituiu por microchips, que respondiam aos comandos dos computadores internos do corpo do próprio Megatron. Embora isto tenha reduzido, consideravelmente, a capacidade de combate dos ciborgues, eles ainda viriam a ser muito úteis mais tarde...
E então Megatron disse: 'Cybertron', e os preparativos para a volta para casa começaram..."

Parte 4: De Volta a Guerra em Cybertron

"Próximo ao final da Quinta Era, Megatron e seus Decepticons retornaram a Cybertron, levando os ciborgues humanos consigo.
As notícias dessa chegada (e do que acontecera na Terra) já haviam se espalhado por todo o planeta e a guerra civil entre Decepticons e Autobots aguardava, tensa, a promessa de grandes mudanças.
Megatron rapidamente reassumiu a liderança dos Decepticons de Cybertron e sua fúria surpreendeu a todos e a maré da batalha foi tomada pelo fogo e por uma devastação como os Autobots jamais poderiam sonhar.
Quanto aos Decepticons, eles escondiam seu medo quando olhavam para seu líder e apenas obedeciam a ele, que parecia possuído por algo terrível e que eles não podiam entender. Ele pensava todo o tempo em Optimus (no momento em que o matou, na sensação de triunfo que se seguiu...) e cada um de seus circuitos estava preenchido por uma felicidade profunda, sombria, fumegante e maligna... Algo terrível e indefinível, oriundo de algum universo, que não o nosso, e que ameaçava consumir tudo a seu redor...
Então os Autobots começaram a tombar por todos os cantos e a definitiva vitória Decepticon breve veio.
Megatron ordenou que fossem erguidos por todo o planeta campos de extermínio para os Autobots que ainda sobreviviam. Nos campos, ele construiu grandes fornalhas e nelas Autobots vivos eram convertidos em metal derretido, matéria-prima para a construção dos sonhos de Megatron, Senhor de Cybertron. Os gritos dos Autobots nas fornalhas preenchiam a atmosfera do planeta como um cântico fúnebre, anunciando o final de uma era.
Megatron fazia questão de percorrer os campos e assistir as execuções, tomado por um prazer obsceno que causava estranheza até aos Decepticons. 'Veja, Optimus,'- ele dizia - 'veja o que fiz a seu povo!'. E depois gargalhava e ficava em silêncio. Seus subalternos o observavam com apreensão e obedeciam-no o mais prontamente que podiam, pois temiam sua fúria e não desejavam terminarem também nas fornalhas.
Logo, as fornalhas se mostraram vorazes demais e não havia mais Autobots para alimentá-las. Megatron fez questão de assistir ao derretimento do último deles.
Em seguida, ele convocou os ciborgues humanos a sua presença, na grande torre que lhe servia de base, na capital de Cybertron. Desprovidos de vontade, eles atenderam e, com um disparo de sua arma, Megatron os vaporizou .
O decepticon Starscream, surpreendido com o fato, questionou Megatron:
'Senhor, eles foram muito úteis em nossa vitória contra os Autobots e ainda poderiam ter alguma utilidade. Por que os destruiu?'
'Optimus... Ele gostava de humanos'- respondeu de modo sombrio Megatron.
Starscream percebeu algo assustador no que acabara de escutar, por isso, em silêncio, virou-se para sair. Porém, no instante seguinte, Megatron atingiu-o pelas costas com um potente disparo e Starscream caiu e ficou debatendo-se na sala do trono. O líder Decepticon ordenou que levassem aquele moribundo para as fornalhas e disse que as mantivessem funcionando, "eu tenho planos para elas..." - ele comentou e os Decepticons estremeceram pensando em que seria o próximo a ser condenado por Megatron.
Então, Megatron ficou sozinho, sua mente debrusçando-se sobre novos planos... Tudo estava perfeito agora... Os humanos e Autobots extintos...Cybertron conquistado... Mas, acima de tudo...Optimus estava morto...
Megatron estava feliz...Uma felicidade tão sincera e perversa, que, por vezes, assustava até ele mesmo...
E então ele olhou para o firmamento, contra os céus lançou seu mais desafiador rugido, pensou nos mundos além de Cybertron...E então, ficou em silêncio, planejando o futuro..."

Parte 5: A Sexta Era Cybertrônica

"O tempo que se seguiu foi, por certo, os dias mais gloriosos de toda História de Cybertron".
Sob a liderança de Megatron, construímos uma poderosa frota espacial e armas com poderio jamais visto. Em tudo isto, o metal que restara dos desafortunados Autobots e do imprudente Starscream foi usado. Lembro-me que uma sensação desagradável percorreu meus circuitos quando um novo armamento (um desintegrador) foi instalado em uma de minhas asas e me disseram que aquele dispositivo havia sido feito a partir de parte do corpo de meu extinto companheiro Decepticon...
Mas era uma época magnífica aquela e a maioria de nós mal pensava nas fornalhas. Megratron era nosso maior orgulho e ele nos comandou pelas estrelas e derramamos nossa fúria e poder sobre um sem número de mundos.
Nós nos espalhamos pela galáxia...Conquistamos uma miríade de planetas (cheios de riqueza e recursos e escravos para Cybertron) e extinguimos outra infinidade. E quando concluíamos nosso trabalho numa galáxia, partíamos para a seguinte...E, em breve, trilhões de seres, dos mais diversos mundos, curvavam-se em adoração ao nosso líder. Era o Império de Cybertron, dos Decepticons, o Império de Megatron.
Porém, as conquistas não terminaram, pois Megatron desejava ampliar cada vez mais seu poder. E, assim, espalhamos por toda a parte a dor, a tragédia e a guerra e, em todos os cantos, as mais desesperadas preces aos mais diferentes Deuses foram invocadas contra nós...Mas, as divindades não pareciam interessadas em interferir...
Então, em algum instante, nós detivemos nossa mão, interrompemos a batalha e, junto a nosso grandioso líder, permitimos que nossos olhos avaliassem a extensão de nossa obra:
Todo o universo que era conhecido por nossos mapas estelares estava sob nosso jugo e dois terços da vida que antes o habitava fora extinta por nossa vitória.
Então, rejubilemo-nos e nossos gritos de triunfo assombraram e estremeceram os mundos restantes e realizamos em Cybertron a maior comemoração que pudemos imaginar.
Porém, Megatron não participou de nossas festividades. Ele continuava perdido naquela felicidade monstruosa, infinita e íntima, a qual ele não poderia compartilhar com mais ninguém, exceto através da selvageria, da destruição e da morte.
Todavia, no meio da grande festa, soubemos que Megatron iria se pronunciar, utilizando o sistema de transmissão que conectava todo Cybertron aos mundos conquistados.
Com orgulho e ânsia, nós o observamos aparecer nas telas de todo o globo, famintos por suas palavras, por seus elogios e aprovação...Que ele gritasse para todo o Cosmo nosso triunfo e nossas vozes, em júbilo, se uniriam a dele. Porém, Megatron disse, no tom mais frio e insano que já escutei, algo que me atormenta até hoje:
_Este era teu universo, Optimus. Veja o que fiz a ele!
Após esse breve discurso, Megatron retirou-se.
Aquilo, de uma forma que, mesmo hoje, não consigo explicar, assustou a todos nós e encerramos as festividades e também nos recolhemos, cada um de nós, intimamente tremia, e nossas mentes eram assombradas pela figura de Megatron..."

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