DESEJO
por Silvia Penhalbel
Nota Legal: Os personagens Buffy e Angel pertecem a seus criadores e não há qualquer intenção da autora em obter lucro com esta historia que destina-se somente à diversão dos leitores.
Nota da Autora:Dedico esta historia a minha melhor amiga, Lu Costa que, como eu, é super fã de Angel e Buffy.
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O brilho do luar entra pela janela aberta e a brisa noturna balança suavemente as cortinas transparentes. Você parece um anjo adormecido, abandonada entre os lençóis, mas eu sei o quanto você pode ser perigosa quando é necessário.
Eu me aproximo devagar do leito e fico observando seus traços delicados, meu corpo tremendo com o desejo de tocar sua pele de seda. Mas se eu a tocar, você vai acordar e me mandar embora. E eu irei, desesperado por sentir seu toque e passarei mais uma noite desejando estar ao seu lado, a frustração se transformando em angústia, em tristeza, em dor.
Se não posso tocá-la, ao menos posso ficar aqui, no seu recanto, observando, sentindo seu perfume, sua respiração, ouvindo as batidas ritmadas de seu coração, imaginando o que povoa seus sonhos neste momento. Mas, o desejo de tocá-la é quase insuportável. Eu poderia fazê-lo e você nunca saberia mas não seria justo nem certo enganá-la. Desde que minha alma foi restaurada, nunca mais tentei dominar a mente de alguém mas sei que você, apesar de toda sua força é tão vulnerável quanto os outros humanos a este poder.
Quando eu finalmente consigo controlar esse desejo insano e me preparo para deixar seu quarto, percebo um movimento seu, delicado, suave, você se movimenta em seu sono fazendo o lençol fino deslizar por seu corpo expondo seus contornos delicados aos meus olhos famintos.
Não posso mais resistir. O colchão macio afunda com o peso do meu corpo, seus olhos se abrem assustados mas, em menos de um segundo, o brilho deles se apaga e seu olhar se torna doce, obediente.
Eu a tomo em meus braços e nossas bocas se unem em um beijo apaixonado. Seu corpo corresponde com paixão à proximidade do meu. Sem sua lógica e racionalidade, você se transforma em uma mulher passional, ardente, sem limites. Eu gosto disso, desta sensação de estar fazendo algo proibido, louco, impensado.
Suas mãos delicadas exploram o meu corpo enquanto as minhas se deliciam em sentir sua pele macia por baixo do tecido que esconde de meus olhos, suas formas perfeitas.
Nós dois queremos mais mas eu sei que isso é impossível. Não posso ter você plenamente sem que isso me transforme novamente naquela criatura cruel que você foi obrigada a enfrentar.
Meu Deus, como eu queria que você nunca tivesse presenciado as atrocidades que Angelus era capaz de cometer. Mas aconteceu, e agora estamos aqui, nós dois, ardendo de desejo e sabendo que isso não pode se repetir.
Você não merece viver assim. O fardo de ser uma caçadora, de nunca poder ter uma vida normal como qualquer garota da sua idade já é pesado demais de se carregar. Você merece ter alguém que possa lhe dar tudo o que eu não posso: uma vida normal.
Com muita relutância eu começo a me afastar mas você se agarra a mim como um náufrago em uma tábua que flutua no mar. Mais um beijo, dois, e novamente nos perdemos em um universo onde os sentidos comandam nossas ações.
A brisa noturna sopra mais forte e o súbito barulho da janela batendo com força me arranca do abandono dos sentidos e me traz de volta para a dura realidade de minha existência miserável.
O que estou fazendo? Usando você sem o seu consentimento, me aproveitando deste seu instante de fragilidade. Olho nos seus olhos e os encontro escuros de desejo, seus lábios sussurram meu nome e sua respiração sopra como uma carícia em minha face.
Não posso mais continuar com isso. Um último beijo e você desperta do transe. Um pouco desorientada e sonolenta enquanto que eu, protegido pela escuridão, observo seus dedos delicados tocarem seus lábios e seus olhos se fixarem na imensidão da noite além de sua janela.
O que você está imaginando? Que foi um sonho? Sim, meu amor, foi um sonho louco que eu criei e que nunca terei coragem de revelar a você que aconteceu.
Suas mãos percorrem lentamente seu corpo, traçando o mesmo caminho que as minhas fizeram há poucos minutos. Você sorri e se acomoda novamente entre os lençóis macios. Em poucos minutos está dormindo novamente com um sorriso em seus lábios.
Devagar, saio de meu esconderijo nas sombras, mas desta vez não me aproximo. Meus olhos percorrem seu corpo uma última vez e um segundo depois, estou caminhando pelas ruas desertas da cidade. Sozinho.
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