Paixão - Parte 1

PAIXÃO - PARTE 1



por Carla


Nota Legal: Os personagens e universo aqui representados são propriedade de Joss Whedon, 20th Century Fox, Mutant Enemy, Sandollar, e Kuzui Productions. Esse conto não visa infringir nenhum dos direitos autorais (copyrights).
Nota da Autora: Vamos considerar que a série Buffy, a caça-vampiros seja exibida depois das 22h, em uma emissora que permita a liberdade de expressão integralmente.
Distribuição:Se você quer, pode pegar! Mas me avise, para que eu possa visitá-la de vez em quando no seu site!
Classificação: A história toda é para maiores de 18 anos (Cuidado!). Mas, cada parte terá uma classificação própria. Essa parte é para maiores de 12 anos.
Feedback:Por favor! Mas com delicadeza! - lorenzi@df.ibilce.unesp.br


Já passava das 7 da noite. Todos, atores e produção, estavam exaustos após 10 horas de gravação e esperavam ansiosos por uma pausa. Mas, contrariando as expectativas, Joss anunciou que gravariam mais uma cena, a última do dia.
Animada com a perspectiva de terminarem tudo o quanto antes, a equipe se dirigiu aos seus afazeres, iniciando os preparativos para a, tão esperada, última cena. Seria uma cena simples: Buffy e Spike se confrontavam no cemitério. Ponto final.
Sentado em sua cadeira, já pronto para as gravações, James observava com interesse a cena que se desenrolava a sua frente: em um stand montado a poucos metros, Sarah, de olhos fechados, sentada em uma cadeira reclinável, era maquiada e penteada por uma equipe especializada, afinal Buffy deveria chegar ao final do dia tão bela quanto o iniciara.
James sorriu. Para ele aquilo era um tormento, especialmente quando recebia a maquiagem de vampiro, mas Sarah parecia não notar as pessoas à sua volta, tão relaxada estava. Talvez até estivesse cochilando.
Como se sentisse observada, ela abriu os olhos e, inclinado levemente a cabeça para frente, focalizou a imagem dele pelo espelho. Sorriu. Um sorriso tão doce, que por um momento ele pensou em olhar para trás e certificar-se se o sorriso não era para outro, que não ele. Quem sabe o noivo dela havia chegado. Mas não, ela sorrira para ele.
Meio encabulado por ter sido pego em flagrante delito, James sorriu de volta e se levantou. Precisava mesmo falar com Joss e acertar os últimos detalhes para a próxima gravação.
Além de produtor executivo, Joss escrevia e dirigia alguns episódios da série Buffy, a Caça-Vampiros. Com a convivência, James acabara criando um laço de amizade com ele.
"E aí Joss, tudo preparado para a gravação?" James perguntou ao se aproximar.
"Estamos esperando Sarah. Este pessoal da maquiagem e figurino está demorando demais. Desse jeito só sairemos daqui amanhã."
James não gostou nenhum pouco da idéia, pois no dia seguinte a equipe viajaria para Los Angeles para uma comitiva com a imprensa e um jantar com os produtores executivos. Precisava estar descansado, pois o dia seria longo e estressante. Mas, eram eles que pagavam seu salário, então...
"Finalmente ela está pronta!" Joss exclamou se dirigindo a atriz que acabara de entrar.
Sarah vestia uma calça vermelho-sangue, cujo tecido colante moldava suas curvas. Nos pés, calçava botas de couro preto, mesma cor da blusa semi-transparente que usava por cima do top, também negro. Seus cabelos estavam soltos, penteados de uma maneira quase felina. Tudo de acordo com a cena que fariam a seguir.
Ele usava a costumeira vestimenta negra, característica do Spike: coturnos, calça, camiseta e casaco de couro. Os cabelos descoloridos, naturalmente rebeldes, estavam assentados em seu crânio à base de muito gel.
Joss trocou algumas palavras com Sarah e depois fez um sinal para que ele se aproximasse. James se dirigiu aos dois, entrando no cenário que reproduzia um cemitério da fictícia Sunnydale.
"Sarah, James, vocês já conhecem o desenrolar da cena: Buffy e Spike se encontram no cemitério, discutem e se beijam. Quero ver muita tensão, como se o ar em torno de vocês estivesse carregado. Bem, vocês sabem do que eu gosto." Joss disse da forma empolgada de sempre.
"Não se preocupe, Joss." Sarah se manifestou. "James e eu já estamos mais que acostumados com esse tipo de cena."
**Com exceção da parte do beijo.** James pensou consigo mesmo. Não que não quisesse beijá-la, afinal ela era muito bonita. Mas existiam outras atrizes tão bonitas quanto ela na série. Inclusive já havia beijado algumas delas, dentro e fora das telas. Nada sério. Porém nunca havia beijado Sarah, a atriz principal, foco de todas as atenções. Na verdade, até algumas semanas atrás, nem sequer havia pensado nesta possibilidade. O fato é que, com Spike se apaixonando pela caçadora, James passara a interagir muito mais com Sarah. Às vezes se pegava observando seus movimentos. Seu jeito leve de andar, como falava com segurança, como cheirava bem. Era um perfume doce e sensual ao mesmo tempo. Comentavam que ela adorava baunilha. **Quem sabe, com essa história de beijo, eu possa provar o cheiro-sabor que exala da pele dela.** Pensou com um meio-sorriso nos lábios.
"Estamos felizes hoje, hein? Boas notícias?" Sarah perguntou ao notar seu sorriso.
"Nada importante." James respondeu desviando-se do assunto. "Você irá amanhã ao evento patrocinado pela produtora executiva?"
"Vou sim," disse ela se dirigindo ao lugar marcado no cenário, para o início das gravações. "Freddie irá também."
**Ótimo! O namorado grudento dará o ar da graça,** ele pensou. Não sabia qual o motivo, mas ele simplesmente não ia com a cara daquele rapaz. Certinho demais. Perfeito demais. O namoradinho da América. **Namoradinho uma ova!** Não devia proporcionar-lhe emoção nenhuma. Satisfação nenhuma.
A voz de Joss, preparando a equipe para o início da cena, interrompeu seus pensamentos, fazendo-o voltar a se concentrar. Agora ele era Spike e ela, Buffy e o resto não importava. Pelo menos naquele momento.
"Por favor, não me venha com esse papo de 'vou enfiar uma estaca no seu coração' que não convence mais ninguém." Spike disse olhando fixo nos olhos de Buffy.
"Você tem razão. Eu não consigo lhe matar, afinal de contas você me ajudou a proteger Dawn várias vezes. Mas isso não quer dizer que eu tenha que suportar sua presença." Disse Buffy, virando-se e começando a se afastar.
"Ah, é? Então por que foi até minha cripta a noite passada?" Buffy se voltou lentamente após ouvi-lo. "Para me agradecer pela ajuda? Para dizer que me odeia e que, como acabou de dizer, não suporta minha presença?" Ele fez uma pequena pausa e continuou. "Engraçado. Me pareceu que foi até lá por outro motivo."
"O que você está insinuando, Spike?"
"Você sabe muito bem o que quero dizer." Ele respondeu rapidamente. "Não somos crianças e muito menos idiotas. Você me procurou ontem a noite, pois achou que eu estaria disposto a lhe dar o que a muito tempo vem querendo..." Ele fez nova pausa, mais longa. "Uma. Boa. Noite. De. Sexo."
"O que? Você está louco!" Buffy respondeu e, virando-se, procurou afastar-se rapidamente.
Irado com o cinismo e desprezo dela, Spike agarrou seu braço direito e a fez voltar-se.
"Não consegue ouvir a verdade nua e crua, não é?" Ele continuou, ainda segurando seus braços e olhando com firmeza nos seus olhos. "Caça-vampiros... Tem coisas que você nunca poderá esconder de mim. Apesar desse maldito chip, eu ainda sou um vampiro. Eu posso sentir o calor que sai do seu corpo." E com uma lentidão que chegava a ser obscena, escorregou os olhos do rosto até seus seios, admirando-os por uns instantes, descendo então pelo resto do corpo. "O desejo que faz seu ventre estremecer. Você está pronta para mim, caçadora."
Ela não respondeu nada. Não conseguia articular nenhuma palavra. Apenas continuou fitando seus olhos azuis, balançando a cabeça numa expressão de negação. Mas ele percebeu a sutil aceleração da respiração dela e sua aproximação involuntária, quase instintiva. Notou quando ela umedeceu com a língua rosada, os lábios subitamente secos.
Ela precisava dele, tanto quanto ele, dela. Só não tinha se dado conta até aquele momento. Só não tivera coragem de admitir.
"Se você pensa realmente isso de mim, de nós, então por que nada aconteceu ontem a noite. Se me lembro bem, fui eu quem virou as costas e foi embora. " Ela disse, tentando controlar a voz ofegante.
"Quer saber por que nada aconteceu? Porque você esperava que eu desse o primeiro passo. Você queria ser conquistada à força. Quem sabe assim, sua consciência não lhe atormentasse tanto no dia seguinte. Ah! A ingenuidade dos 20 anos..."
"E o que isso tem a ver? Só por que você tem 121 anos? Grande coisa." Buffy disse, petulante. "Já tive um namorado muito mais velho que você, lembra?"
Ele riu da arrogância dela, o que deixou-a mais enfurecida ainda. Spike adorava senti-la assim. Apaixonada.
"E você e Angel tiveram o que? Uma única noite de amor e só. O resto foram beijinhos e abraços à luz da lua."
"Mas eu o amava e nunca me importei com isso."
"Pois, por mim, pode continuar guardando seu amor eterno para ele. Não é isso que eu quero de você."
"É muita arrogância da sua parte afirmar tudo isso, Spike. Nós sempre nos odiamos eu só não lhe matei até hoje pois tinha uma utilidade." Ela disse, furiosa e continuou: "Erro meu."
Dando aquele irritante meio-sorriso, Spike respondeu: "Eu quero que me odeie, caçadora, pois isso só alimenta esse fogo entre nós. E a verdade é que, mesmo sem perceber, mesmo sem admitir, você me quer. Eu poderia tê-la agora mesmo, no meio deste cemitério, encostada eu uma lápide qualquer e você não me negaria nada."
"Pára! Eu não agüento mais ouvir este monte de absurdos. Me solta!" Ordenou Buffy, tentando, em vão, se libertar.
"Eu deixo você ir, mas antes admita, senão para mim, para você mesma, que tudo o que eu falei é verdade." Spike disse, sem soltar um milímetro sequer seu aperto. "Que me quer dentro de você, que eu invada seu corpo como ninguém jamais o fez antes e que esse fogo vai lhe consumir se eu não o fizer logo. Sexo puro e selvagem."
"Não..." Ela ofegou, desviando o olhar. "Por favor, me deixa ir..."
"Diz que me quer tanto quanto eu a você, Buffy..."
Ao ouvir aquele tom suplicante, ela voltou os olhos para ele com espanto.
"É a primeira vez que você diz meu nome"
"Eu sei ..." Spike sussurrou e, inclinando-se, tocou os lábios dela com os seus.
**Deus! O gosto da boca dela é indescritível.** James pensou, sentindo o coração bater acelerado. Em algum momento daquela cena, ele havia deixado de ser Spike e quem ele tinha nos braços, não era simplesmente um personagem, mas era uma mulher linda, cujo corpo parecia se moldar perfeitamente ao seu.
Soltando os braços de Sarah, James levou uma mão até sua nuca, entrelaçando os dedos naqueles cabelos sedosos, de tal forma que suas bocas se encaixaram ainda mais. Com o outro braço, ele circundou a cintura de Sarah, trazendo-a para mais perto dele. Sentiu quando os seios cheios e macios dela se esmagaram em seu peito.
Com uma certa selvageria, ele prendeu os lábio inferior dela entre os dentes e ouviu-a gemer baixinho, numa mistura de dor e prazer. Aproveitando-se deste momento, James insinuou sua língua entre os lábios da Sarah, não sem antes escorregá-la, com sensualidade, pelo lábio inferior delicado que acabara que morder. Sentiu-a entregar-se.
Foi então a vez dele gemer, quando sentiu a língua dela encontrar-se com a sua, aprofundando o beijo.
As mãos dela, antes apoiadas em seu peito, deslizaram lentamente para baixo, insinuando-se por baixo do casaco e abraçando-o pela cintura.
Da forma como estavam encaixados, era impossível não notar como seu membro estava ereto. Mas, ao invés de afastar os quadris, Sarah impulsionou-os levemente para frente, mexendo-os em uma cadência sensual. Suas línguas continuavam a se experimentar, imitando o que seus corpos queriam e estavam prontos para fazer.
"E...Corta!" Joss anunciou com a empolgação que lhe era característica.
Sarah abriu os olhos assustada e se desprendeu dele o mais rápido que seu corpo trêmulo permitiu.
"Grande cena, garotos!" Joss falou enquanto se aproximava. "Não precisaremos nem repetir a tomada."
**Graças a Deus.** James pensou. Não sabia se agüentaria tudo de novo sem cometer uma besteira. **Uma besteira maior do que a que havia feito.**
"Podem se trocar, crianças. Estão liberados." Em seguida, Joss se dirigiu ao restante da equipe, passando as últimas coordenadas do dia.
Permanecendo estático, James viu Sarah se virar e caminhar em direção ao próprio trailer. Sem dizer nada, nem ao menos olhar para ele.

********************

Nunca gostara de banhos frios, mas era exatamente de um deles que precisava. Deixando a água escorrer pelo corpo, Sarah evitou pensar nos eventos daquela noite, mas as cenas e sensações teimavam em surgir-lhe na mente.
**Oh, Deus!** Gemeu ela angustiada. Seu comportamento fora reprovável. Nunca antes agira daquela forma em uma gravação. E olha que ela já gravara muitas cenas sensuais.
Mas ela não se atormentaria mais. Ele começara aquilo. Ele desencadeara todas aquelas sensações. Seu corpo simplesmente correspondera de forma natural aos estímulos. **Não foi minha culpa!** Pensou, fechando a torneira do chuveiro com decisão.
Realmente não pensaria mais naquilo. Pelo contrário, colocaria uma roupa bem sedutora e sairia para um lugar bem badalado com Freddie. Seu noivo. O homem que amava.
Depois de secar e aplicar um hidratante corporal, vestiu um hobby confortável e dirigiu-se ao frigobar do trailer em busca de algo que aliviasse sua garganta seca.
Ouviu algumas batidas na porta do trailer.
"Pode entrar. A porta está aberta." Sarah anunciou meio temerosa de quem poderia ser. **Que não seja ele.** Rezou em pensamento. Com que cara o olharia depois do que acontecera?
Suas suspeitas se confirmaram. Era ele.
"Posso falar um minuto com você?" James perguntou, entrando no trailer.
"Claro." Ela respondeu com uma calma aparente. "Sente-se", disse indicando uma cadeira.
"Obrigado." E sentou-se. Os eventos daquela noite haviam mexido muito com ele, mas James preferira ignorar as novas emoções e decidira esclarecer tudo com Sarah. E agora, sentado na frente dela, as palavras lhe faltavam.
Para ele, Sarah nunca estivera tão bonita. Apenas de hobby, com os cabelos molhados e soltos pelas costas e de rosto lavado. **Concentre-se, James.** Ordenou a si próprio em pensamento.
"Vim aqui para me desculpar pela forma como agi hoje, durante as gravações. Acho que me descontrolei um pouco e me arrependo. Mas, acredite, isso jamais voltará a acontecer." James falou de uma só vez.
Ela sabia que ele diria algo do gênero, mas não esperava sentir-se tão decepcionada quando o ouvisse. Porém, se para ele não significara nada, muito menos para ela.
"Do que está falando, James?" Ela perguntou de forma indiferente. "Nada aconteceu. Não tem com o que se preocupar." E voltando-se em direção ao quarto, disse: "Agora, se me permite, preciso me trocar, pois tenho um compromisso com meu noivo."
Aos seus ouvidos, a palavra 'noivo' soou como um tapa. Cerrou os dentes, enfatizando ainda mais a ossatura de seu rosto. Ele sabia que Sarah não havia ficado satisfeita com seu comportamento um tanto abusivo, mas não imaginava que reagiria dessa forma fria.
Levantando-se abruptamente, James dirigiu-se até a porta mas, parando por um instante, voltou-se e disse: "Que bom que entendeu tudo, Sarah. Você sabe, sou um homem normal que, digamos, sabe apreciar uma bela mulher. Poderia ter sido qualquer uma, mas calhou de ser você. Espero que me perdoe e esqueça esse episódio lamentável. Até mais ver." Dito isto, virou-se e saiu.
Sarah permaneceu no mesmo lugar por um tempo, tentando assimilar as últimas palavras dele. Não gostara do que tinha ouvido. A fizera sentir-se... vulgar. E o pior, é que ela sabia que o resto de sua noite estava arruinado.

**********
A continuar...


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